Veja este artigo na íntegra em Scielo/Revista Brasileira de Terapia Intensiva v.19 n.2 São Paulo abr/jun 2007
Autores:
Almir Galvão Vieira Bitencourt, Graduando da Faculdade de Medicina da Bahia(UFBA), Membro da Liga Acadêmica de Medicina da Bahia (LAMIB); Flávia Branco Cerqueira Serra Neves, Graduando da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, Membro da Liga Acadêmica de Medicina da Bahia (LAMIB); Larissa Durães, Graduando da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, Membro da Liga Acadêmica de Medicina da Bahia (LAMIB); Diego Teixeira Nascimento, Graduando da Faculdade de Medicina da Bahia(UFBA), Membro da Liga Acadêmica de Medicina da Bahia (LAMIB); Nedy Maria Branco Cerqueira Neves, Médica Oftalmologista, Professora de Ética Médica e Bioética da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, Mestre em Educação (FACED-UFBA); Doutoranda em Medicina (PPGMS-UFBA); Lara de Araújo Torreão, Médica Pediatra, Coordenadora da UTI Pediátrica do Hospital Aliança e do Hospital Ernesto Simões Filho, Mestre em Pediatria (FMUSP); Sydney Agareno,Médico Intensivista, Coordenador do Projeto Morte Encefálica da Associação de Medicina Intensiva Brasileira - AMIB, Membro Consultor da Liga Acadêmica de Medicina Intensiva da Bahia
RESUMO
Justificativa e objetivos: por ser um conceito relativamente novo e pouco divulgado na sociedade, o diagnóstico de morte encefálica (ME) ainda não é bem aceito pela população em geral, inclusive entre médicos e estudantes de Medicina. O objetivo deste estudo foi avaliar o conhecimento de uma amostra de estudantes de Medicina sobre o protocolo diagnóstico de ME.
Método: Estudo descritivo de corte transversal, avaliando acadêmicos de duas faculdades de Medicina de Salvador-BA. Foi distribuído um questionário auto-aplicável composto por questões referentes à conhecimento, técnico e ético, contidos na Resolução nº 1.480/97 do Conselho Federal de Medicina, que dispõe sobre os critérios para caracterização de ME.
Resultados: Foram avaliados 115 estudantes. A média de acertos nas 14 questões sobre o conhecimento dos critérios da ME foi de 6,7 ± 1,8; sendo maior entre os estudantes que haviam assistido alguma apresentação sobre ME. A maioria dos estudantes (87,4%) soube identificar os pacientes candidatos ao protocolo de ME. No entanto, apenas 5,2% e 16,1% dos estudantes acertaram, respectivamente, os testes clínicos e complementares que devem ser realizados durante o protocolo. Frente a um paciente não-doador com diagnóstico confirmado de ME, 66,4% referiram que o suporte artificial de vida deve ser suspenso. Apenas 15% dos estudantes entrevistados já avaliaram um paciente com ME, sendo este percentual maior entre os que já haviam realizado estágio em UTI (38,2% versus 5,1%; p < 0,001).
Conclusões: Os resultados deste estudo apontaram para um conhecimento limitado dos estudantes avaliados sobre os critérios para caracterização da ME, principalmente em relação à sua abordagem prática.